Violência doméstica sob a ótica siciliana

A violência doméstica sob a ótica siciliana.
Ascolta bene, sì? Leia até o final!
Na Sicília, diferente de outras províncias da Itália, desde os séculos passados, as mulheres são criadas sob as mesmas condições familiares que os homens. Isto é, una ragazza, no âmago de sua famiglia, possui os mesmos deveres e direitos que seus irmãos.
Era muito comum que tanto os rapazes quantos as moças trabalhassem em plantações de uva, oliva e figos na zona rural ou em indústrias, nas zonas urbanas. Ambos para ajudarem em casa.
Neste sentido, as viúvas sicilianas são as que mais conseguem conviver com a falta de seus maridos, pois nunca foram criadas para dependerem exclusivamente deles. São doutrinadas, desde cedo, a aprenderem a produzir, administrar e vender, bem como são influenciadas a estudarem e priorizarem suas carreiras.
Os casamentos por aqui são encarados como uma sociedade e não como uma relação de servidão.
Há um brocardo italiano que diz que as mulheres sicilianas são mais perigosas que uma arma.
Tal provérbio se dá justamente pelas mulheres sicilianas serem mais convictas de suas vontades e liberdades que as outras mulheres italianas, personalidade que assustava os homens do norte – um homem que pensa assim è un buccaiòlo.
Além disto, era muito comum na Sicília, não apenas no submundo, que um pai matasse o genro - ou ordenasse uma surra a ele - caso ocorresse algum episódio de maus tratos físicos em face da filha.
De forma geral, a casa da chamada ''prima famiglia'' estava sempre aberta para a filha que, após casar, tivesse problemas com um marido alcoólatra, agressivo ou que a subjugasse com mãos de ferro cerceando sua liberdade.
Diante de uma rígida proteção familiar, que não cessava sequer após o casamento, as mulheres eram - e ainda são nas regiões mais tradicionais da Sicília - amparadas por leis ortodoxas da malavita, que são mais eficientes que qualquer proteção estatal.
Por este motivo, os homens fracos do Norte Italiano dizem que as mulheres da Sicília são perigosas.
Nonno mio, ad esempio, era um tradicional siciliano da Catânia, que inclusive viveu a segunda grande guerra - já fiz postagens a respeito desta história - mesmo tendo seus conceitos extremamente ríspidos e conservadores, jamais o vi alterar a voz para com Nonna mia, nunca o vi sob efeito exagerado do álcool, de forma alguma o vi cercear a liberdade de sua esposa. ao contrário, ele admirava muito ter uma companheira de fibra e que, assim como ele, gerenciava as plantações de uva e a produção do vinhedo com maestria.
Davvero, Nonna mia, diante de inúmeros lavradores homens da propriedade, andava ao meio deles a fiscalizar e administrar cada nuance. ela impunha e exigia respeito de cada um. resolvia problemas e desavenças entre os lavradores e moedores do vinhedo. Era tipicamente una donna siciliana!
Eu ainda não tive em minha casa una figlia, apenas un bambino. mas com toda convicção, se porventura eu tiver, a educarei para que seja uma mulher forte e de fibra como era Nonna mia.
Noutro giro, venho a educar figlio mio - com palavras e exemplos - que ele deve amparar e proteger, sem subjugar, a sua futura esposa. se um dia ele tocar em um fio de cabelo da sua companheira, eu mesmo o corrigirei de forma abrupta pela conduta infame!
Amico mio, não use o brocardo de que a honra se lava com sangue para tocar em sua companheira. agindo assim, você não passa di un figlio di puttana!
Foi traído? vaffanculo! a culpa foi sua por ser inocente e ter escolhido errado. Foi abandonado? Al diavolo! considere isto como uma oportunidade de aproveitar a sua liberdade. Está com ciúmes? Sparisci! Resolva a sua insegurança ou encontre outra mulher digna de confiança.
Apenas não toque nela! Isto apenas demonstrará o quão desiquilibrado e infame você é.
Cent’anni.
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